O Valor do Imperfeito é o tema de nossa terceira conversa com Joicy Britts, que embarca novamente no Carrossel do Cirilo para oferecer mais um bate-papo com muitas reflexões e insights. Vem com a gente!

Para falar sobre o valor do imperfeito, nada melhor do que entender a filosofia japonesa da arte Kintsugi. É um processo no qual pasta de pó de ouro é utilizada para unir pedaços de vasos quebrados, formando um novo vaso com alto valor a partir de pedaços anteriormente considerados imperfeitos.

Da mesma forma, nós podemos olhar para as imperfeições da nossa vida e atribuir a elas um outro valor. Nesse sentido, a singularidade não busca a perfeição, mas sim dar o devido valor às marcas e feridas sagradas que são deixadas em nós.

O VALOR DO IMPERFEITO

Temos a tendência de nos sentirmos mais imperfeitos que as outras pessoas porque conhecemos nossas “fissuras psicológicas”. Assim, vemos nossas “rachaduras emocionais” de dentro para fora, com muito mais proximidade do que enxergamos as dos outros.

Essas rachaduras, na maioria das vezes, vão sendo formadas aos poucos, sem que a gente se dê conta. Além disso, é comum que pequenas rachaduras sejam formadas a partir de vários pontos diferentes, e não de uma única origem. Quando muitas delas se somam e chegam a um limite, nós rompemos.

Ao não dar valor ao imperfeito, essas rachaduras só servem para machucar. Assim, iremos romper em escuridão. Porém, essas rachaduras são inevitáveis em nossa vida e se aprendemos a dar valor ao imperfeito, entendemos que por cada fissura vai entrar luz.

ROMPIMENTO E REFAZIMENTO

Das fissuras e rachaduras psicológicas surgem rompimentos. Esses rompimentos não estão ligados necessariamente a grandes traumas, podendo se manifestar em ritos de passagem cotidianos, como a busca de um novo emprego, a chegada a aposentadoria, a decisão por uma faculdade, a maternidade, entre muitos outros.

Toda vez que somos rompidos, precisamos ter a capacidade de saber onde foram parar nossos pedaços e se fomos rompidos em pedaços grandes ou pequenos, além de saber como acolher e recuperar esses pedaços.

Nesse processo, também devemos escolher quem e o que estará ao nosso redor para que usemos como pasta de ouro para recompor as nossas partes. A ideia da singularidade é que possamos nos refazer de forma mais valiosa.

Quando nos recompomos com nossas partes “lascadas” usamos nossas experiências, autoconhecimento e pessoas com as quais nos relacionamos para servir como a “pasta” que irá preencher os espaços que faltam.

Insight para reflexão: Pessoas com “buracos” não se completam, apenas se “esburacam” mais.